“Cancela, passou da idade”​: Na hora de contratar, a idade do candidato conta?

Carreira

“Cancela, passou da idade.” Essa foi a resposta que um profissional, de 45 anos, recebeu de uma empresa de recrutamento e seleção, ao candidatar-se a uma vaga. É óbvio que a mensagem foi enviada por engano e, é claro, também, que o tema acabou reverberando, ganhando espaço inclusive em reportagens. Milhares de pessoas se manifestaram: foram mais de 15 mil likes, 3,6 mil comentários e mais de 400 compartilhamentos, no post publicado por ele, no LinkedIn.

Entre os comentários – na maioria solidários ao rapaz, ou compartilhando experiências similares –, houve quem duvidasse da veracidade da tal resposta, acreditando que ele lançou um factoide, em busca de autopromoção. Para mim, a motivação dele, de verdade, não importa. O gritante é que não se trata de uma peça de ficção, mas sim de um episódio totalmente factível. Ou seja, acontece diariamente. Todos os dias, alguém é rejeitado, em um processo seletivo, por estar “velho-demais” para o cargo.

Embora o tema etarismo – também chamado de idadismo e ageísmo – venha ganhando, cada vez mais, evidência, os contratantes ainda usam a idade como um filtro importante para a triagem de currículos. Quantos profissionais competentes, com uma bagagem rica e grande experiência acumulada, o mercado vem perdendo, por conta desse preconceito?

Se a população está envelhecendo, os profissionais não estão?

O grande paradoxo é que a população brasileira está envelhecendo. Nascem menos crianças e cresce a expectativa de vida. Se não houver uma ampla conscientização a respeito desse fato, como será o futuro? Seremos idosos sem renda? Chegaremos à maturidade sem ter mais como colocar em prática nosso potencial criativo? E como ficará a dinâmica econômica com a perspectiva de mais-cabelos-brancos-do-que-pele-de-bebê?

Há dez anos, fundei a minha empresa e, há uma década, ouço de meus mentorandos histórias semelhantes à desse rapaz. Muitos deles me procuraram, justamente, por não enxergarem longevidade em suas carreiras e estarem com medo de ter um futuro sem autonomia.

Por sinal, há dez anos, eu me vi sendo vítima deste preconceito. Com 47 anos, fui excluída de alguns processos seletivos exclusivamente pela idade. E percebi uma dura realidade que acontecia comigo e tantos outros. Foi impressionante, chocante, e por não crer e muito menos aceitar os fatos que aconteciam, e acontecem, eu construí um novo caminho para mim.

Os movimentos contra o etarismo precisam continuar, crescer e ter efetividade. Todos os profissionais, independentemente da idade que têm, devem estar atentos a esse tema. Essa é uma bandeira a ser levantada por todos nós.

O etarismo deveria estar na pauta de todo profissional

Se você tem apenas 30 anos, hoje, o mais incrível que pode acontecer com você é alcançar a maturidade, porque isso significa vida em abundância. E, quando chegar esse momento em sua vida, como vai ser? Já pensou nisso?

Se você está na maturidade e exerce um cargo executivo, é seu papel derrubar as barreiras do etarismo. Infelizmente, muitos gestores maduros são justamente aqueles que rejeitam currículos de profissionais mais velhos. Mais um paradoxo.

Agora, se você está na maturidade, vive na pele esse preconceito e está em busca de uma oportunidade, quero lhe dizer que há um amplo horizonte pela frente. Há muitos caminhos viáveis, que podem ser prazerosos e frutíferos. Se quiser saber mais sobre isso, leia meus artigos. Eles podem dar a você ótimos insights. Ou, se preferir, faça contato.

Para encerrar, gostaria que você compartilhasse a sua experiência. Você tem pensado nessa questão? O que você tem feito para contribuir no combate ao etarismo? Conte para mim, nos comentários.

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