Desapegue-se de suas certezas

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Às vezes o coração, rasgado pela dor, vira retalho. Recomenda-se, nestes casos, costurá-lo com uma linha chamada recomeço. É o suficiente. Cora Coralina

Algumas histórias que contamos para nós mesmos, sejam vividas ou imaginadas, ganham raízes dentro de nós. Transformam-se em certezas. Muitas vezes, tornam-se a mão invisível que nos segura, impedindo que a gente vá além. Eu não sei qual é a sua história, mas sei a minha e, como atuo como mentora, já ouvi muitas outras em meu dia a dia profissional. Eu sei muito bem como elas podem ser poderosas. Algumas transformam-se em retalhos que, se não forem remendados com a linha do recomeço, ficarão como um pano solto, sobressalente, que incomoda, sem, de fato, ser percebido. Assim, a sensação que fica é a de estarmos empacados.

Sempre aprendi tudo sozinha. Não acredito em relacionamentos duradouros. Nunca tive sorte na vida. Todo mundo tem inveja de mim. Não tenho nenhum talento significativo. Não gosto de correr riscos. Nunca mais terei sócios. Nunca mais terei uma empresa. 

Quantas dessas frases você já ouviu, pela boca de outra pessoa, ou por sua própria? São máximas que são interiorizadas e, geralmente, estão relacionadas a algum fato marcante, ou traumático, vivido na infância, adolescência, ou, mesmo, já na fase adulta. A verdade é que, ao longo da vida, vamos acumulando uma lista de “certezas”, que acabam por nos definir.

Não há dúvida que essas narrativas são conteúdos acessados e vivenciados por nós. São fatos que aconteceram, mas que acabaram ganhando uma dimensão tão grande, que receberam o status de “para sempre”. São “dores” – sentimentos amalgamados –, que precisam ser extraídas, para ganharem uma nova perspectiva, um novo olhar.

Qual é o ponto de vista do observador?

Existe uma grande diferença entre aquilo que repetimos, insistentemente, para nós mesmos, e aquilo que o outro ouve. Quando eu pego a “dor” do meu eu e a enxergo de uma outra forma, ela pode me auxiliar no caminho que quero trilhar. As travas passam a ser liberadas e, com as portas abertas, é possível enxergar diferentes oportunidades. Por isso é tão importante ouvirmos a nossa história sob uma nova ótica. Pode ser por meio de um trabalho de mentoria, um processo terapêutico e, até mesmo, por meio de uma conversa com um familiar ou amigo. Como será que alguém isento contaria a sua história? Quais seriam as nuances que seriam dadas?

Esse exercício chama-se ressignificação. Gosto de trabalhar essa revisitação da história de vida de meus clientes, com a perspectiva do aprendizado. Tente fazer isso com um episódio de sua vida. Pode ser algo simples. Você deve pegar essa passagem, relembrá-la e recontá-la. Foque nos fatos. Grave um áudio, escute-a atentamente e, depois, busque qual foi o aprendizado que você pode tirar dessa experiência. O que aprendemos é o que deve permanecer em nosso coração, e não a mágoa, a vergonha, a dor, ou o nó na garganta.

Minha dica é para que você comece eliminando de seu vocabulário as palavras nunca e sempre, que carregam uma força do tempo desnecessária. Tudo passa!

Você já ouviu a sua história de vida?

Em minha empresa, a Papilio Empresarial, desenvolvi um programa, o Néctar, focado em profissionais com mais de 45 anos, que buscam ganhar autonomia e longevidade em suas carreiras. Em uma das etapas desse processo, que se chama Reconhecimentopropomos um mergulho interior e reconexão com a sua história de vida. Ao ouvir a sua narrativa, vamos pontuando e apontando novas perspectivas. Quase ao final do processo, temos uma sessão especial, durante a qual contamos a história de vida do cliente, para que ele mesmo possa ouvi-la. Esse processo é memorável, tanto para nós, como para quem está participando do programa. Vivenciamos momentos de emoção, descobertas, identificação de muitos aprendizados e, claro, ressignificação e empoderamento da própria história de vida.

Com tudo isso, quero dizer que, quando nos permitimos encerrar ciclos, tratar nossas “dores” emocionais e desapegar de eventos negativos, conseguimos carregar toda a bagagem que temos com mais leveza, sem mágoa e “certezas” que nos paralisam. Quando eu me desapego, consigo perceber os aprendizados conquistados e trazer uma narrativa diferente. Ou seja, consigo ver que tenho uma série de possibilidades, que poderão se constituir em oportunidades, para que eu trace diferentes trajetórias e encare outros desafios.

Tirando o excesso para se transformar

Ao fazer uma ressignificação de nossa história, automaticamente, limpamos aquilo que está sobrando, que não nos traz nada de bom. Dessa forma, conseguimos eliminar o que está nos mantendo no passado e nos impedindo de enxergar o mundo de possibilidades que está bem à nossa frente. É um chamado para viver o presente e encarar o futuro com um olhar voltado ao crescimento, mudança e transformação.

Crescimento pessoal e profissional. Essa é a síntese desse processo tão rico e desafiador. Lembre-se: o passado já foi e o que ele deixou para você foi aprendizado, experiência e mais sabedoria.

O programa Néctar

Como disse anteriormente, o Néctar foi desenvolvido para atender profissionais que chegam à maturidade, buscando novos caminhos para percorrer e, ainda, planejar a sua virada de carreira. O programa é desenvolvido em parceria com Márcia Carneiro, especialista em marketing e comunicação de marcas corporativas e pessoais. Juntas, conduzimos os participantes à uma jornada de transformação, que prevê um planejamento sustentável, visando uma carreira longeva e produtiva.

Se precisar de ajuda para revisitar a sua história ou quiser saber mais sobre o programa Néctar, faça contato. Será um grande prazer tomar um café com você e fazer parte de sua trajetória de transformação.

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